No dia 20 de Janeiro, em Vila do Conde, realizava-se a Feira dos Vinte ou também chamada Feira dos Namorados, com origem lá para o Século XVIII.
Mandava a tradição que rapazes e raparigas escrevessem uma quadra de amor numa colher de pau, e que a enfeitassem.
Era depois com elas que brincavam, atirando-as uns aos outros.
Quando um rapaz catrapiscava alguma rapariga, havia que enfeitar uma colher de pau de forma especial, e nela escrever uma quadra a preceito. Se a rapariga aceitasse... bom sinal, era sinal de namoro.
Hoje são as escolas que recriam esta feira e, em cada 20 de Janeiro, lá aparecem vestidos à época e com cestos recheados de colheres de pau que recordam outras épocas.

| O meu amor conheci Na Feira dos Namorados Olhei para ele e sorri E saímos abraçados! | O amor é um feitiço Que ataca o meu coração Deixa o meu olhar mortiço E enche-me de paixão. |
| Demasiado lindo é o amor Quando te vejo passar No coração fica a dor Por contigo não andar. | Uma vez um pescador Uma sereia prendeu Trouxe-a com todo o amor Mas sem mar ela morreu. |
| No fundo do mar achei Paixão outrora perdida. Tanto por ela esperei! Meu ser ganhou nova vida. | Quando eu te conheci Logo pensei namorar Senti-me bem preso a ti Para teus lábios beijar. |
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A Sala do Coliseu já estava cheia quando chegamos. Os lugares eram excelentes. Primeira plateia, segunda fila, mesmo junto à orquestra que, nestes concertos, está no meio do público.
Observo quem veio, e vieram todos.
A "tia" da Foz, mais os filhos e o pai dos filhos. Nos extremos sentavam-se o pai e o filho mais velho, protectores. Ao lado do filho mais velho, a mãe. e depois as duas raparigas, mais novas, a chamar a atenção do pai e da mãe.
A bisavó que passou o tempo a tirar bolachas "Maria" da carteira e a distribuir às bisnetas, que a filha e a filha da filha já não tinham idade para se calarem com tal goludice.
O senhor de cabelo branco e bengala, olhos transparentes e com uma luz que irradiava o prazer do momento.
A senhora do fato rosa pálido, que adormecia na sombra da sala mal soavam os primeiros acordes e acordava com o seu próprio ressonar.
E as crianças, muitas e curiosas da novidade daquela música diferente.
Ouvimos Dvorak, Sinfonia nº 9, "Do Novo Mundo", em Mi Menor, op 95, pela Orquestra Nacional do Porto, dirigida pelo Maestro Marc Tardue.
E ouvimos a história de Dvorak e a história da peça contada em voz-off e com projecção de imagens num ecrã gigante. Aí comecei a imaginar a alegria da pequenada se o compositor ali aparecesse em carne e osso recriado, e a conversar "em directo"....
Ouvimos de seguida uma peça escolhida por uma pessoa conhecida e de importância na cidade. Veio o próprio explicar as razões da escolha, mas esqueceram-se de dizer ao senhor - pai e avô - que as crianças se fartam depressa de palavras escusadas e que os músicos arrefecem mas longas esperas dentro daquela sala enorme. O público, educado, bateu palmas a meio da "leitura" a dizer: já chega!!. É que na mão dele ainda repousavam muitas fichas de notas.....
Foi então tempo de escutar o pianista Constantin Sandu , de longo curriculum e parca apresentação. Ficou "a saber a pouco" o pouco que tocou...
... porque a hora já ia longa e era preciso chegar ao final, com o público, em peso, a seguir ordens simples do maestro e a fazer a sala estremecer de entusiasmo.
Não, não tirei fotografias, mas havia gente a tirar que eu vi os flashes!
Pois é.
Há dias passei em casa do meu irmão para lhe levar umas fotografias. Parei o carro em local semi-próprio e dei-lhe a "encomenda" pela janela do carro.
Viu as fotografias, agradeceu, e ficou a pairar sem decidir-se ir embora.
- Há algum problema?
Ele olhou e decidiu-se:
- Então e o teu blog????
...... foi a gota de água.