- Não deixes de ir a Lucca!
Este dito de uma amiga ficou-me no ouvido: Lucca.
Afinal foi quase por acaso que a visitei... É uma cidade fascinante! Pequenita, mas muito bonita.
Não senti o peso dos turistas apressados das cidade grandes e pude fruir os espaços.
Perdi-me pelas ruas.
Subi às torres e aos terraços. Passeei nas praças. Sentei-me no chão de um jardim a comer um gelado...
Um dos seus ex-libris é a sua praça “redonda”…
Um antigo anfiteatro construído no Século II aC, seguindo uma planta elíptica com duas fileiras de 54 arcadas e uma capacidade para 10000 pessoas deu lugar, na Idade Média, a uma praça fechada em que as casas ocuparam as antigas ruínas. A praça manteve a sua forma elíptica característica, com edifícios toda em torno dela.
Hoje esta praça tem em seu redor lojas e cafés, e as explanadas estendem-se por ela dentro. Acolhe um sem número de actividades culturais: música, teatro, ...
Na fotografia ainda se consegue perceber esta praça, a que mais me encantou em toda a viagem.
Agora digo eu: se forem à Toscania, não deixem de ir a Lucca!

Há quem diga que é cinzenta. Talvez. Se assim a quiserem ver....
Mas… como podem?
Será que já a correram ao raiar do dia, quando o cinza da noite dá lugar aos brancos e amarelos das paredes e aos vermelhos dos telhados?
É... como magia...

Há muito que não subia estes caminhos, mas voltar por eles é como se fosse voltar depois de ontem porque as pedras, as árvores e os caminhos têm o mesmo contorno e os mesmos cheiros.
Costumava pegar num livro e subir a encosta sem pressas.
Escolhia um penedo para me acoitar até o Sol descer no horizonte e lia horas a fio ouvindo chilrear e olhando as serras que amo.
Anos antes subia a correr para descer ainda mais depressa. Não têm conta as vezes que esfolei joelhos e cotovelos atrás de tudo e de nada mas sempre pelo prazer de fruir aquela terra.
Conheço ainda todas as pedras dos caminhos. E os cheiros.
Para jusante, o Douro. Resende. A Ermida.
Costumava sair no comboio na Ermida.
- Não olhes para a frente! As faúlhas entram nos olhos e magoam-te!
O comboio parava no meio do ranger do ferro das rodas nos carris e do fumo das máquinas. O cheiro era inconfundível e ainda o tenho gravado na memória, vivo. Saíam pessoas, malas, sacos e cestos que galgavam os quilómetros de caminho preciso para chegar a Tresouras. Não havia "carreiras", e carros de praça só mesmo em caso de muita precisão e marcados com dias de antecedência.
Calor? Frio? Chuva? Sol?
Não havia nada que diminuísse a alegria. Afinal, estava de férias!
A Norte, Montemuro orlada agora de moinhos de vento modernos que reluzem com a luz doce do nascer e do por do Sol. Energia limpa.
Já por lá andei, mas de carro quase sempre. Ainda quero andar muito mais.
Para a esquerda, Mesão Frio, a montante do Rio Teixeira que corre em fio de água no fundo do imenso vale que cavou.
E o Marão! A Teixeira. Mafómodes. Aqui sim, conheço. De hoje e de ontem.
Ia a Mesão Frio a pé, ao sábado. Descia ao moinho, passava ao lado de Loivos, e subia junto à cooperativa do vinho. Acaba aqui a Região Demarcada e no Outono as cores dos vinhedos e o aroma das uvas cortadas de fresco é inconfundível!!!
Na Teixeira comi o doce que lhe tomou o nome, acabado de sair do forno, famoso em qualquer feira mas raramente o original. Às vezes era preciso esperar que acabasse o tempo de cozedura. Nada complicado, porque as gentes daquelas bandas têm conversa que prende e as horas não se sentem.
Passando Mafómodes, com as suas leiras de um verde único, é só subir até às antenas e olhar o mundo! Lá do alto, do mais alto, o que é que se não vê???


| Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, Mas não há outra maneira. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.
Baghwan Sree Rajneesh, mais conhecido como Osho, filósofo indiano |
