Pé ante pé, a minúscula aranha passeava pelo braço achando que passava sem ninguém dar por nada.
...ou seria pata ente pata????


O princípio do dia, com a luz suave do sol e o Centro Comercial Vasco da Gama ainda por abrir permitiu uma imagem em que este se confunde com a Estação do Oriente. Um mescla de Reflexos e Transparências.

Conheço-a desde menina. Nasci perto. De lá partia de férias para o Douro, com as malas, as cestas e as sacas num comboio de bancos corridos de madeira. Verde. Lembro-me sempre do comboio de portas verdes. Até podia ter outras cores, mas eu lembro-me das portas verdes e dos bancos cor de madeira escurecida pelo tempo.
Pela viagem ouvia:
- Cuidado! Não olhes para a frente! Olha as faúlhas que te entram para os olhos!!!
A viagem demorava horas. E o vestido claro virava negro das cinzas do carvão queimado na locomotiva. E o rio corria lado a lado com o comboio.
Lá para a Estação da Rede era tempo do pregão:
- Áuga e bilha cinco testões!!!!Áuga e bilha cinco testõeees!! Quem quere? Quem quere?
Até o comboio bebia água ali…
Também havia regueifa fresca para depois comer com o leite. E dar de presente às tias.
Saía na Estação da Ermida, para rumar a Tresouras.
Ou na Régua onde, depois de receber de prémio um pacote de enormes e suculentos rebuçados, apanhava a "carreira" e subia a Canelas.
O tempo passou e a viagem é agora bem diferente. Mesmo pelos mesmos caminhos.
Os cheiros, os sons, os sabores. Esses ficaram.
