Chovia. Era noite.
A Avenida dos Aliados oferecia uma paisagem inesperada. Estava vazia de gente!!! Pela chuva e pela hora.
Mesmo assim não era de arriscar sair do carro, tirar o tripé da bagageira, armar o tripé, tirar a máquina.. e fazer tudo com uma só mão, porque a outra teria de estar a segurar um protector guarda chuva!
Não. Muito antes de metade de tudo feito, de algum canto da Avenida uma sombra trataria de eu deixar de chamar meu o tripé, a máquina, sei lá!...
Parei o carro junto ao Passeio das Cardosas.
- Lindo! Este é o meu Porto.
Abri o vidro. A beirada da janela serviu de tripé inventado e fiz uns quantos bonecos.
Mas ele era o nevoeiro, ele era a chuva persistente miudinha molha tolos. Ele era mais o tripé inventado...
... o resultado foi o que se vê.

Já algumas vez foram à teia de um teatro?
Subir
Subir degraus estreitos e íngremes
Pretos.
Que se enrolam sobre si mesmos.
E chegar de onde se vê o mundo de forma inesperada.
Uma teia de fios. Cortinas. Focos de luz. Cabos. Roldanas.
Atilhos e sarilhos se algo não funciona como deve.
Espreito. Pela grade negra feita chão. E pelo varandim.
Cocurutos loiros, morenos e carecas movem-se com o à-vontade de quem não se sente espiado. Os pés parecem dar pontapés no ar quando caminham. E os braços lembram aranhiços aflitos a passear quando gesticulam mais expressivos.
Chega o som de vozes que não distingo.
Sento-me e sinto-me escondida à vista de todos.
