Há momentos mágicos...

| Por delicadeza Bailarina fui Tão breve o começo Dançarina fui Onde o mar aberto Bailarina fui Minha vida atada «Juventude ociosa Sophia de Mello Breyner Andresen |
A Sala do Coliseu já estava cheia quando chegamos. Os lugares eram excelentes. Primeira plateia, segunda fila, mesmo junto à orquestra que, nestes concertos, está no meio do público.
Observo quem veio, e vieram todos.
A "tia" da Foz, mais os filhos e o pai dos filhos. Nos extremos sentavam-se o pai e o filho mais velho, protectores. Ao lado do filho mais velho, a mãe. e depois as duas raparigas, mais novas, a chamar a atenção do pai e da mãe.
A bisavó que passou o tempo a tirar bolachas "Maria" da carteira e a distribuir às bisnetas, que a filha e a filha da filha já não tinham idade para se calarem com tal goludice.
O senhor de cabelo branco e bengala, olhos transparentes e com uma luz que irradiava o prazer do momento.
A senhora do fato rosa pálido, que adormecia na sombra da sala mal soavam os primeiros acordes e acordava com o seu próprio ressonar.
E as crianças, muitas e curiosas da novidade daquela música diferente.
Ouvimos Dvorak, Sinfonia nº 9, "Do Novo Mundo", em Mi Menor, op 95, pela Orquestra Nacional do Porto, dirigida pelo Maestro Marc Tardue.
E ouvimos a história de Dvorak e a história da peça contada em voz-off e com projecção de imagens num ecrã gigante. Aí comecei a imaginar a alegria da pequenada se o compositor ali aparecesse em carne e osso recriado, e a conversar "em directo"....
Ouvimos de seguida uma peça escolhida por uma pessoa conhecida e de importância na cidade. Veio o próprio explicar as razões da escolha, mas esqueceram-se de dizer ao senhor - pai e avô - que as crianças se fartam depressa de palavras escusadas e que os músicos arrefecem mas longas esperas dentro daquela sala enorme. O público, educado, bateu palmas a meio da "leitura" a dizer: já chega!!. É que na mão dele ainda repousavam muitas fichas de notas.....
Foi então tempo de escutar o pianista Constantin Sandu , de longo curriculum e parca apresentação. Ficou "a saber a pouco" o pouco que tocou...
... porque a hora já ia longa e era preciso chegar ao final, com o público, em peso, a seguir ordens simples do maestro e a fazer a sala estremecer de entusiasmo.
Não, não tirei fotografias, mas havia gente a tirar que eu vi os flashes!