fevereiro 22, 2007

Aranha



Aranha

A aranha tece
Fio solto
Fio preso
Laços
Trama
Véu
Espera
Tangente
Tem gente?
Tem mosca
Tertúlia
Repasto
Quer caça
Carcaça

Lu


Aranha

Publicado por m_vm em 11:16 AM | Comentários (2) | TrackBack

novembro 15, 2006

Opções



Douro Internacional



Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo.

Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados,
e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre.

Mas não há outra maneira.
O rio não pode voltar.
Ninguém pode voltar.
Voltar é impossível na existência.
Você pode apenas ir em frente.

O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece
Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano.

Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.




Baghwan Sree Rajneesh, mais conhecido como Osho, filósofo indiano



Oceano Atlântico

Publicado por m_vm em 07:19 PM | Comentários (5)

julho 13, 2006

Fugas




Fugas


A musa em férias


Que se passa em Lisboa?
que se passa em Madrid?
que se passa em mim e em ti?

Do outro lado do mar
em Cabo Verde no Brasil
ou na Coreia que se passará?

A verdade ignora-se
evita-se
e cada hora fecha-se com um sorriso
nem alegre nem triste
sorriso
.........simples acordo
do homem com a sombra
a sombra que cresce e o devora
num dia a dia favorável aos fantasmas
e a quem lucra com eles

............*

Soluções sabemos todas
mas em vão dizemos Amor
Aventura Poesia

Afinal as palavras somos nós
e a nossa esterilidade

............*

Crescei e multiplicai-vos
também já cá se sabia

Crescei no medo
multiplicai-vos no desespero

Um pelo que sobreviva
valerá por vinte cidades

............*

Com o hálito
já desfiz alguns bailes
Afinal seria bem fácil
dominar o mundo

............*

Mas dança em sossego
musa em férias
aventura-te um pouco
musa em férias

Agora
só preciso de azul
de todo o azul cobarde
que o céu possa oferecer-me


Alexandre O'Neil


Obrigada, amiga, pelo poema....

Publicado por m_vm em 12:41 AM | Comentários (4)